Ciência Global, Internacionalização e Cooperação Acadêmica: Para Quê – E Para Quem?
DOI:
https://doi.org/10.70853/Palavras-chave:
Desigualdade, Autonomia intelectual, Ciência aberta, FormaçãoResumo
Neste ensaio, interrogo as finalidades da ciência global, da internacionalização da educação superior e da cooperação acadêmica a partir de uma questão central: para que — e para quem — ampliamos redes, parcerias e circuitos de circulação do conhecimento? Desenvolvo uma reflexão teórica apoiada em literatura sobre internacionalização, ciência global, colaboração Sul–Sul, dependência acadêmica, internacionalização em casa, ciência aberta e diplomacia científica, articulando-a a contribuições de Heller, Lyotard, Han, Baudrillard e Agamben. Argumento que a expansão geográfica das relações científicas não constitui, por si, evidência de democratização, reciprocidade ou relevância pública. Examino como métricas de desempenho, assimetrias de recursos, domínio linguístico, infraestrutura e formas de reconhecimento podem ampliar oportunidades e, simultaneamente, reproduzir dependências. Reivindico a noção de ciência do comum como horizonte normativo no qual circulação e abertura são acompanhadas pela distribuição das capacidades de perguntar, decidir, aprender, investigar e utilizar o conhecimento. Defendo que internacionalizar ganha sentido público quando fortalece autonomia intelectual, condições dignas de trabalho, formação e participação efetiva, sem subordinar a pesquisa à exigência de utilidade imediata. Ao final, reorbito a discussão pelo cotidiano: ser global só se justifica quando o conhecimento retorna à vida, amplia interlocuções e enfrenta também as desigualdades que organizam sua própria produção.